Depressão e ansiedade são apenas duas das comorbidades da falta de intervenção nos sintomas do autismo. Quando a pessoa tem o diagnóstico tardio, como eu, é quase certo que a investigação se dá porque conviver com essas comorbidades se tornou insustentável.
O tratamento desses transtornos é mais efetivo quando ocorre de forma multidisciplinar, mas não é fácil encontrar profissionais especializados em autismo de adultos, especialmente mulheres. Tenho o acompanhamento de uma excelente psiquiatra, mas ainda busco uma psicóloga.
A realidade da vida do autista adulto de nível um de suporte é encontrar sozinho as soluções para os problemas que se apresentam. Minha estratégia é buscar informações em fontes confiáveis e inserir uma intervenção por vez, para que eu me acostume e não rejeite a mudança de cara.
Há alguns dias tive acesso a um estudo que demonstra que a prática da atividade física é até 50% mais eficaz que remédios no combate à depressão. Depois de ler o estudo, decidi que voltaria a me exercitar com constância e aí começaram meus problemas.
Para quem não sabe, eu treinei judô durante muitos anos, desde a infância. EU AMO esse esporte, acompanho e posso dizer que é um dos meus hiperfocos mais antigos. No momento, não é possível que eu pratique esse esporte tão amado, então eu precisava procurar outro.
Já treinei musculação, corrida, crossfit, funcional e diversas outras modalidades esportivas. Sempre tive mais consistência treinando com outra pessoa, mas, em razão do meu horário, perdi minha companheira de treino. Nunca mais consegui treinar direito e é aqui que eu preciso destacar que o suporte que um autista precisa pode se apresentar de diversas maneiras.
Meu marido resolveu ir comigo e tem sido fundamental para manter a rotina. Vamos juntos, ele faz as coisas dele, eu as minhas e saber que ele está lá me dá tranquilidade e segurança. Outra coisa que eu faço é o rodízio nas máquinas de modo que não preciso conversar ou dividir equipamento com ninguém.
A adaptação mais importante que eu fiz, no entanto, são os fones de ouvido com bloqueador de ruído. Ao contrário dos barulhos do treino de judô, que eu acho reconfortantes, os da academia são estridentes para mim. Bloquear esse ruído e colocar minha música me deixa no estado de espírito onde consigo não me incomodar com a presença das outras pessoas.
Ainda tenho medo de alguém me filmar e acabar viralizando nas redes sociais. Tenho medo de ser ridícularizada ou julgada, mas já coloquei na minha cabeça que, quanto a isso, não posso fazer nada.
É assim, um dia por vez que eu vou fazendo o possível para viver com a plenitude que eu mereço.