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Os trouxas da Política

Maysa, você deveria ficar calada. Foi esse o pensamento que me ocorreu há uns dias, quando recebi de muitas pessoas (praticamente todos os meus contatos) esse vídeo do jornalista Luiz Carlos Prates sobre a farra das passagens. Foi uma sensação, todo mundo aplaudindo, concordando e dizendo que sim. Apenas o Senhor Prestes aí no vídeo tinha coragem de bater na mesa e falar o que todos gostaríamos. Passou a semana, os “trouxas” entregaram as declarações, acabou o stress e aí? Todo mundo calado…

Se você ficou com preguiça de ver o vídeo eu digo, basicamente ele segue aquele mesmo discurso inflamado, de que deputados são safados e aproveitadores farreando com o nosso dinheiro. Conclama o povo a levantar as bundas do sofá e vir aqui para Brasília tirar uzômi du puder. Até aí tudo bem, mas o que me incomodou foi o fato dele chamar os contribuintes de trouxas. Foi estranho o suficiente para me calar uns dias o fato de uma pessoa dizer em alto e bom som o quanto são bobos os que fazem o certo – juro que meu peixe-babel me soprou isso no ouvido. Para mim apenas corrobora a idéia da mentalidade que dizem ser a do brasileiro: é um povo que gosta de levar vantagem em tudo.

Aí um incauto, recém chegado na internet vê um vídeo desses e pensa que o cara tá na televisão falando que ele é estúpido porque não reage, e deve estar certo, afinal todos os sites (ele não sabe é que esses sites são escritos por outros trouxas estúpidos acomodados como ele) concordam. Ele tem que fazer algo e decide que vai se lançar a vereador e fazer as coisas diferentes; quem sabe não consegue chegar a Brasília? E pronto, tá feita a merda.

Porque o Zé Povinho não chega no poder, no máximo dilui os votos para ficarem sempre os mesmo políticos, que por sua vez são eleitos muito mais pela força dos seus partidos do que por mérito pessoal. E quando chega lá (ou aqui, depende da ambição e/ou da localização geográfica) lembra que ele era um trouxa e pagava os impostos estupidamente em dia. Agora ele quer reaver os anos em que foi bobo e pronto; nasce mais um espertalhão. Parece errado para você? Para mim parece, mas a gente conhece o que é certo ou errado baseado no que vivemos. Roubar é errado, mas quem diria que é errado pegar de volta o que roubaram de você, mesmo que seja de conhecimento público que aquilo não te pertence mais?

Isso me incomoda no vídeo mais do que o fato dele achar que bater panelas vai resolver alguma coisa. Pensando em mim, com 3 crianças e não dirijo. Pra ir bater panelas lá na Praça eu teria que andar até a parada, pegar um ônibus cheio, descer na Rodoviária – porque se estivesse acontecendo um panelaço a primeira providência duzômi seria proibir tráfego de veículos na Esplanada  – e  andar sei lá quanto tempo com os meninos pendurados. Me quebra, eu não iria. Mesmo… Nem que me pagassem. E milhões de outras pessoas com motivos que consideram tão justificáveis quanto considero os meus também não iriam.

Então o que fazer? Já disse aqui, mas repito. Escreva. Para os deputados, senadores, presidente da República, presidente da CNBB, whatever. A gente fica o dia todo aqui no computador, tirar cinco minutos e fazer algo útil não vai atrapalhar a sua navegação.

E o mais importante, lembre-se que o processo eleitoral não é só tirar um dia pra ficar na fila e não correr o risco de ficar sem passaporte. É, como disse, um processo e errar nesse único dia nos deixa com fama de trouxas durante quatro anos.

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