Sem categoria

Minhas Confissões de Mãe

Como a gente começa uma confissão? Sinceramente não sei, mas o que importa é o conteúdo. Então, confesso que:

João MarceloNão sei quando uma mulher se torna mãe. É quando se descobre grávida, conta ao marido (ou parentes), decide engravidar ou nasce o bebê? De concreto sei que olho meus filhos e na maior parte das vezes não acredito que fizemos pessoas. Deve ser porque fico imaginando que força é essa que vai girando o mundo até duas pessoas se encontrarem e darem um pedacinho de sua alma para criar pessoas completamente independente deles, mas tão profundamente interligados.

Carlos HenriqueTambém não sei o que faz uma mãe melhor, já que a maioria das mães em essência faz a mesma coisa: ama os filhos. Para mim cada par mãe-filho é destinado a extrair o melhor um do outro e trabalhar todos os dias para isso acontecer nos transforma em pessoas melhores, a parte de ser mãe é consequência. Na busca pelo melhor os filhos se tornam amorosos, saudáveis, criativos, seguros, fazem amigos e pra mim isso faz uma boa mãe. Amamentar e parir faz parte dessa busca, sem dúvida, mas pra algumas pessoas a caminhada é mais importante que o objetivo em si; porém também acho que amamentar e parir pode fazer surgir uma mulher melhor, mas isso não tem nada a ver com a mãe que ela será.

HelenaAmamento há quase 5 anos praticamente sem interrupção, doei leite e amamentei a filha de uma amiga-irmã. Isso não quer dizer que estou nas boas graças divinas, mas que tive apoio, algum conhecimento e muita sorte. Nem sempre quis ser mãe, nem todos os meus filhos foram planejados. Sempre achei que as crianças recém-nascidas precisavam apenas de peito e um cueiro, mas isso não me livrou do estranhamento ao olhar para eles a primeira vez. Não foi amor a primeira vista, mas não consegui me separar deles e dei muito trabalho aos médicos e às enfermeiras que tentavam tocar nos meus bebês.

Sei que é um privilégio ficar em casa com as crianças, mas sinto saudades do meu trabalho. De colocar um aviso na porta de Não Perturbe e as pessoas respeitarem, do silêncio, de não fazer nada, de dormir e acordar a hora que quero. Às vezes digo para o Bruno que estou com dor de barriga, só para ficar sozinha um pouco. Eu e marido não somos iguais, mas isso apenas confirma o fato que nenhuma pessoa é igual a outra, sejam casados ou não. Nosso barco é uma canoa com dois remos, mas a gente não sabe onde vai chegar.

Poderia falar mais, mas não consigo e nem quero. Na verdade essas minhas confissões são um arremedo de resposta a entrevista que D. Maria Mariana deu à revista Época – e que em tese eu nem deveria me importar, já que acredito firmemente que cada um sabe o que é melhor para si e sua família – mas é exatamente essa crença que me fez querer escrever esse post.

C4g4r regras é a coisa mais fácil do mundo e qualquer um pode fazer isso, mas se supor detentora de verdades absolutas é de uma crueldade atroz com milhões de mulheres que não podem simplesmente abandonar tudo e tentam conviver com a culpa da melhor forma que podem. E com aquelas que não querem ter filhos, por que não? Ser mãe (ou pai) não é o ponto máximo na vida de muitas pessoas e isso não faz com que sejam melhores ou piores. Pronto, acabei.

Leiam também os posts da Denise, da Lu Monte, da Lola e da Cam Seslaf.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *