Reflexões

Vivendo com a fibromialgia: organização e produtividade

Esquisito esse título, mas é exatamente assim que me sinto quando chega outubro e eu me pego pensando: que tipo de sistema de organização usarei ano que vem?

É uma espécie de hobby sazonal. Visito sites, vejo vídeos, faço planilhas comparativas entre agendas, aplicativos, planners e todo tipo de invenção que, supostamente, irá me ajudar a ser muito produtiva no próximo ano. A conclusão é sempre a mesma, que nada vai me ajudar se eu mesma não me ajudar.

O ano começa bem, com excelente adesão ao sistema escolhido. Consigo produzir bastante, participar de muitos eventos, visitar os amigos, cozinhar, costurar. Um verdadeiro céu para os junkies da produtividade. Daí chega ali por junho/julho e eu canso, acabou o gás e nada me faz sair do marasmo. Não vivo, sobrevivo. Não existe ferramenta ou sistema que me faça andar os 12 meses ininterruptamente. Com o mesmo gás do começo.

Daí agora me ocorreu que o problema, talvez, não seja o método que escolhi, mas eu mesma. Porque caio na armadilha de que basta me organizar que vou conseguir fazer tudo o que preciso, porém uma coisa que ainda não aceitei é que não funciona assim. Além do meu dia a dia e todas as suas demandas, fatores externos interferem muito e uma coisa que eu nunca tinha percebido anteriormente é que o clima é um dos piores.

Moro no Tocantins, que todos sabem é um dos estados mais quentes do país. Viver com a síndrome fibromiálgica é tentar diariamente encontrar um balanço entre o que seu corpo pode e o que você quer fazer. Não adianta eu estar com o espírito super cheio de energia se meu corpo mal consegue levantar da cama.

(pausa) Para quem ficou curioso, o calor diminui as dores, mas aumenta a fadiga, enquanto o frio aumenta a dor, mas fico menos cansada (despausa)

No meu caso, chegar a essa “descoberta” só foi possível pois venho há alguns anos escrevendo periodicamente meus sintomas, eventos positivos e negativos, situações recorrentes ou que deixaram grande impacto no meu cotidiano. Quando podemos rever o que aconteceu, não é tão difícil recriar o cenário e encontrar as conexões.

Nunca tive o hábito de escrever diários, mas fiquei agradecida por ter feito essas anotações. Se eu pudesse dar uma dica para todos que sofrem da síndrome da fibromialgia é: escrevam o que sentem, o que incomoda e o que não está como deveria.

E para mim a dica é: escolha uma agenda com espaço para escrever. Seus sintomas agradecem!

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