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Ensinando ou aprendendo?

É lei: os mais velhos ensinam, os mais novos aprendem.

Fui criada junto a minha avó, eu era um apêndice dela. Onde ela estava poderia me contar lá, nas reuniões do Apostolado da Oração (sim, minha avó é uma senhora católica devota), nos chazinhos que costumavam tomar à tarde, durante os preparativos para as festas que costumavam organizar. Eu estava sempre lá, ouvindo, observando, aprendendo.

Com ela e as amigas aprendi muitas coisas.

Café, torta de frango, bolo de bolo e outras comidas do dia-a-dia, festas lindas com pouco orçamento, tricô, ponto cruz, costura reta e crochê. Além disso elas ainda me ensinaram a rir alto, contar piadas, rezar o Ofício de Nossa Senhora, sentir prazer em estar na companhia de outras mulheres.

Me ensinaram que mesmo que a gente não ame um homem, ele ainda serve pra levar a gente pra dançar. A não ficar calada quando me perguntassem algo e, nesse caso, falar o que penso e aceitar ser confrontada. Também aprendi com elas que tem horas que devemos nos calar e dar às pessoas a possibilidade de descobrir a verdade por si. Poderia citar ainda muitos exemplos mais, uma tarde “preguiçosa” entre mulheres é um caldeirão de possibilidades.

Mas teve uma vez que tudo mudou.

A Virgem do Perpétuo Socorro

Nós estávamos lendo a revista d’O Mensageiro e elas ficaram encantadas com a Virgem do Perpétuo Socorro. Na época eu estava tendo aulas de história da arte na escola e ainda estavam frescas as lembranças sobre a arte sacra bizantina, então pude explicar o que era aquela imagem.

Naquele dia elas desafiaram uma das leis mais imutáveis da natureza e me ensinaram mais uma lição. Nunca se é velho demais para aprender e não se é jovem demais para ensinar.

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