Relato

Dor Crônica: O que você sabe sobre ela?

Nunca imaginei que eu seria essa pessoa que não se emociona com as dores físicas alheias. Veja bem, não é que eu não consiga admitir que a dor de um braço quebrado, cólica ou enxaqueca não existam, mas se alguém me fala que não consegue fazer nada por causa de uma gripe, por exemplo, não fico abalada.

Deve ser em razão da minha história. Existe uma máxima bem real na comunidade de fibromialgicos, de que enquanto as outras pessoas fingem passar mal, nós fingimos passar bem. E fingindo eu venho, há quase 10 anos.

A dor é invisível e, segundo os especialistas, a percepção da sua existência é individual e varia de acordo com as experiências anteriores dos indivíduos, bem como a cultura na qual está inserido.  Daí você pode imaginar minha dificuldade em me relacionar com as dores dos outros.

Não encontrei dados estatísticos sobre o Brasil, mas existem estimativas de que mais de 1,5 bi pessoas sofram de dores crônicas ao redor do mundo, 100 milhões delas apenas nos Estados Unidos, onde é a maior causa de auxílio-doença por incapacidade prolongada [2]. O mais impressionante, entretanto, é que apenas 30% dessas pessoas tem alguma esperança de viver sem dor em algum momento no futuro.

Há alguns meses fui a uma dentista nova e ela pediu uma radiografia total do meu rosto. Quando chegaram os resultados dos exames, ela perguntou muito séria como eu convivia com a dor no rosto, porque tem um bico de papagaio na minha ATM. E eu ri, porque não sinto dores constantes no rosto, sinto no corpo todo.

Imagino que para alguém de fora seja difícil compreender a diferenciação. Sentir dor quando como algo muito duro (exige muita mastigação) é normal e isso mostra um limiar de dor bem alto, mas daí eu quase desmaio de dor ao depilar a perna com cera. Para mim, o pior da dor é o cansaço que ela ocasiona. É preciso muita concentração para não deixar que ela ocupe cada pedaço da sua mente.

Talvez esse texto de hoje tenha fica um pouco sem sentido, mas é bem um relato de como estou me sentindo. Sem sentido, desconectada do meu corpo que cada dia mais se faz presente com uma dor nova, um hematoma que não sei de onde veio.

Kylo Ren, personagem de Star Wars, fala chorando "eu quero me livrar desta dor"

É a realidade de quem vive com a fibromialgia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *