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A gravidez do coração

{ Postado em jan 22 2010 por Maysa }

imagem_familiaParticipo de um grupo sobre maternidade[bb] e durante uma discussão sobre adoção essa semana, a Eliana mandou um e-mail muito esclarecedor que eu tomei a liberdade – com autorização claro – de copiar aqui exatamente como ela escreveu, com exceção de alguns nomes que eu tirei. Óbvio que o contexto é muito maior que isso, mas ouvir conhecer uma parte do processo faz toda a diferença, evita que situações com as descritas aqui aconteçam.

Meninas,

A adoção de crianças fora do perfil é realmente o ideal para todos, pois as crianças recebem uma família, os pais não ficam anos e anos a espera, as VIJs (Varas da Infância e Juventude) conseguem concretizar seu trabalho… Mas, do pouco que tenho conhecido sobre adoção nestes últimos anos, dou um pitaco para quem pretende adotar crianças maiores, especificamente a partir dos 3 anos:

Informem-se muito, muito e muito! Preparem-se para receber este filho!

Como já disseram, “ser mãe não é fácil, mas é muito bom!”. E certamente isto vale para mãe adotiva, bio ou qualquer outra definição. Mas ser mãe adotiva necessita que seja trabalhado um fator a mais nesta relação[bb], necessita entendimento  pela família não do processo operacional para adotar (este é só seguir o fluxo), mas do processo emocional que trouxe esta criança até a família.

Provavelmente desde da barriga ela já recebe sentimentos pesados (seja de rejeição, seja de dor da mãe bio por não ter dinheiro para ficar com mais este filho, entre outros), além da grande chance de receber substancias inadequadas (é comum mães bios que tentaram aborto e não conseguiram, ou que sejam alcoólatras, viciadas, subnutridas, etc.). Que consequências psico-fisicas esta criança pode ter? Não dá para prever!

A adoção[bb] de crianças maiores (denominada adoção tardia) tem mais um fator: O que esta criança viveu até aqui? Como isto a afeta? Como agir para ajudá-la a superar melhor tudo isto? Quanto maior, certamente mais difícil terá sido a curta vidinha dela. Rejeições, abusos, negligências, violências, exposições traumáticas… certamente ela não passou incólume a isto tudo. Adotar uma criança maior requer sinceridade para responder questões como: Estou preparado para receber um filho que tenha sido abusado sexualmente? E um filho que passou seus primeiros anos exposto à drogas, álcool e sexo? E um filho que tenha a violência física como padrão na sua vida?

Bem, infelizmente, ao responder não para algum questionamento similar, você já vai estar de alguma forma limitando suas opções, você já vai estar restringindo o perfil desejado – mas é melhor isto do que não se preparar e causar mais sofrimento na criança devido ao insucesso do período de adaptação, implicando no seu retorno ao abrigo (além de sofrer mais uma rejeição na vida, as crianças que ’são devolvidas’ ao abrigo durante o período de adaptação acabam ‘queimando o filme’, sendo taxadas de problemáticas por todos, inclusive nas VIJ). E, lembrando, que por menos difícil que tenha sido a vida da criança até a adoção (pois fácil nunca é), os pais que recebem crianças maiores também tem que ter ciência da alta probabilidade de um inicio difícil, onde ela vai colocar em cheque o amor recebido, as vezes tornando a convivência muito complicada.

Gente, com tudo isto, não quero desaminar ninguém para uma adoção tardia, pelo contrário! Só quero enfatizar que, mesmo nos  preparando continuamente para sermos bons pais, estes filhos tem necessidades especificas que não podemos relevar, não podemos deixar para nos preparar quando eles chegarem – pode ser sofrido demais, ou mesmo tarde demais! Lembrem-se que quem tem que amadurecer e se preparar para estabelecer uma relação familiar[bb] de sucesso é a família que recebe – chega a ser infantilidade esperar que uma criança de 4, 6 ou 10 anos tenha reações maduras.

Bem, quanto especificamente as crianças do Haiti, realmente meu coração também balança… mas e quantas crianças estão por aqui, nos nossos abrigos, esperando os nossos corações balançarem? Estes dois links (um de RS e outro de PE) dão uma boa noção de como anda nosso Brasil. Sei lá… digamos que, fazendo analogia, fico pensando se o certo não seria primeiro consertar nossa casa, para depois consertar nossa rua, e então nosso bairro e aí por diante…

Um site que eu acho que tem muita informação de excelente qualidade, inclusive com envio gratuito de DVDs sobre o assunto, é o Mude um Destino.

Desculpem o texto muito longo!

A Eliana é mãe do João Pedro, da Maria Fernanda e habilitada para adoção desde 2008. Tenho certeza que ela responderá aos comentários deixados aqui, na medida do possível. =)

Imagem daqui.


2 Respostas to “A gravidez do coração”

  1. A adoção de crianças deve ser algo bem planejado, pois além de afetar a criança, que deve se preparar para conviver e se adaptar a uma nova família, esta família que vai recebê-la deve estar estruturada fisica e emocionalmente e ter conhecimento do que a criança já passou em sua vida, para que algumas ações não a desestabilizem e prejudiquem a relação.
    Quanto às crianças do Haiti, concordo com a analogia feita. Quantas crianças hoje esperam ansiosamente por uma nova família aqui no Brasil!
    Muito bom o texto, fala realmente o que devemos saber antes de adotar uma criança.
    Abraço.

    [Reply]

  2. Maysa,
    Obrigada duas vezes: primeiro por saber que meu texto pode fazer a diferença para algumas pessoas e segundo, por poder contribuir para seu blog!
    E certamente responderei comentários com muito prazer.
    bjs
    Eliana Sena

    [Reply]

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