Eu escolho aprender
Lembra da época da escola, quando após faltar uma aula você tem certeza que o professor está falando aramaico e todo mundo entende menos você? Essas últimas semanas foram assim…
Começou quando soube que Juliana Paes se sentiu ofendida por José Simão ter dito que ela era da casta das nada castas e o processou. Eu li as pessoas falando sobre a volta da censura e a respeito dela ter-se projetado para a fama mostrando o corpo e não consegui entender porque ela aparecer nua ou com pouca roupa dá a um jornalista o direito de falar o que bem entender e justificar-se com o argumento raso que ela é uma personalidade pública. Por outro lado também não entendi o motivo de tamanha revolta. Me ocorreu que ela talvez não seja esse furacão sexual das revistas e comerciais. Deveria ter pensado nisso antes de vender essa imagem, questionado se vale a pena mostrar o que as pessoas acham que querem ver por um instante de fama e até que ponto essa é uma decisão consciente e suas consequências foram bem avaliadas.
Daí na metade da minha divagação aconteceu todo o buzz sobre o #lingerieday (que é apenas dia 29/7, fiquem sabendo). Resumindo, um grupo de rapazes sugeriu que as mulheres colocassem fotos e/ou avatares de si em roupas de baixo e informaram que era um ato de protesto contra a tal revolução de sofá, mas foram claros em dizer que mulheres gordas e feias estavam liberadas da “obrigação”. A discussão foi tamanha para um assunto tão pequeno e antes de chegar na baixaria enveredou por um caminho interessante – sob o meu ponto de vista - questionando se o fato de aderir voluntariamente a essa campanha torna a mulher um objeto.
Ultimamente tenho lido, ouvido, e tentando coordenar todas essas informações sobre o movimento feminista. Questionar apenas não me torna parte desse grupo, minhas idéias ainda não estão organizadas a ponto de ter uma opinião consistente, mas para mim é claro que proporcionar liberdade de escolha a uma pessoa não faz com que esta venha a seguir o que eu acho correto e há que se respeitar isso… A Juliana Paes, por exemplo, talvez tenha escolhido fazer da bunda um logotipo, mas certa ou errada foi uma escolha dela e acho isso um privilégio tendo em vista que ainda hoje a imensa maioria das mulheres não tem a mesma liberdade em construir a própria imagem, mas também penso que a maioria delas não encara bem o resultado que vem diante do seu posicionamento.
Entenderam agora minha confusão?
Eu acho que a gente pode apresentar cenários, apontar situações semelhantes e até dizer o que faria na mesma situação, mas nunca dizer que o outro escolheu errado principalmente porque o amadurecimento vem de experiências que precisam ser vividas. Talvez seja esse o meu erro, sempre assumir de pronto que estou falando com pessoas adultas e com o mínimo discernimento sobre certo e errado sob a ótica do senso comum, com pessoas que tem responsabilidade sobre si e não pretendem ferir intencionalmente os outros.
Em relação a quem deve ou não mostrar o corpo, eu ri. Sério… Há várias semanas estou pra indicar um link, mas sempre esqueço, do site The Shape of a Mother. Passem lá e vejam a variedade de corpos, histórias, cicatrizes no corpo e na alma e ainda sim a beleza que existe em cada uma das fotos. Sim, entendo que ninguém deve ser julgado por preferir um determinado shape para seus parceiros, mas quem não é capaz de ver além da embalagem não deveria andar impunemente na rua. E nem vou falar mais agora, tenho um post quase pronto sobre essa questão, então fica pra outro dia.
E me desculpem se ficou sem sentido, como disse ainda estou organizando toda essa informação, mas vocês podem mais textos sobre esse assunto aqui, aqui, aqui e aqui.
Imagens daqui (vale seguir e ler o texto), daqui (sobre a calcinha cor-de-rosa).


Maysa, Brasília, Distrito Federal, Brasil, América do Sul, Hemisfério Sul, Planeta Terra (a maior parte do tempo), Universo. Mulher, mãe, esposa, filha, nora, cunhada, neta, tia, amiga, irmã, cozinheira, leitora, carona, scrapper, navegadora. |