Minhas Confissões de Mãe
Como a gente começa uma confissão? Sinceramente não sei, mas o que importa é o conteúdo. Então, confesso que:
Não sei quando uma mulher se torna mãe. É quando se descobre grávida, conta ao marido (ou parentes), decide engravidar ou nasce o bebê? De concreto sei que olho meus filhos e na maior parte das vezes não acredito que fizemos pessoas. Deve ser porque fico imaginando que força é essa que vai girando o mundo até duas pessoas se encontrarem e darem um pedacinho de sua alma para criar pessoas completamente independente deles, mas tão profundamente interligados.
Também não sei o que faz uma mãe melhor, já que a maioria das mães em essência faz a mesma coisa: ama os filhos. Para mim cada par mãe-filho é destinado a extrair o melhor um do outro e trabalhar todos os dias para isso acontecer nos transforma em pessoas melhores, a parte de ser mãe é consequência. Na busca pelo melhor os filhos se tornam amorosos, saudáveis, criativos, seguros, fazem amigos e pra mim isso faz uma boa mãe. Amamentar e parir faz parte dessa busca, sem dúvida, mas pra algumas pessoas a caminhada é mais importante que o objetivo em si; porém também acho que amamentar e parir pode fazer surgir uma mulher melhor, mas isso não tem nada a ver com a mãe que ela será.
Amamento há quase 5 anos praticamente sem interrupção, doei leite e amamentei a filha de uma amiga-irmã. Isso não quer dizer que estou nas boas graças divinas, mas que tive apoio, algum conhecimento e muita sorte. Nem sempre quis ser mãe, nem todos os meus filhos foram planejados. Sempre achei que as crianças recém-nascidas precisavam apenas de peito e um cueiro, mas isso não me livrou do estranhamento ao olhar para eles a primeira vez. Não foi amor a primeira vista, mas não consegui me separar deles e dei muito trabalho aos médicos e às enfermeiras que tentavam tocar nos meus bebês.
Sei que é um privilégio ficar em casa com as crianças, mas sinto saudades do meu trabalho. De colocar um aviso na porta de Não Perturbe e as pessoas respeitarem, do silêncio, de não fazer nada, de dormir e acordar a hora que quero. Às vezes digo para o Bruno que estou com dor de barriga, só para ficar sozinha um pouco. Eu e marido não somos iguais, mas isso apenas confirma o fato que nenhuma pessoa é igual a outra, sejam casados ou não. Nosso barco é uma canoa com dois remos, mas a gente não sabe onde vai chegar.
Poderia falar mais, mas não consigo e nem quero. Na verdade essas minhas confissões são um arremedo de resposta a entrevista que D. Maria Mariana deu à revista Época – e que em tese eu nem deveria me importar, já que acredito firmemente que cada um sabe o que é melhor para si e sua família – mas é exatamente essa crença que me fez querer escrever esse post.
C4g4r regras é a coisa mais fácil do mundo e qualquer um pode fazer isso, mas se supor detentora de verdades absolutas é de uma crueldade atroz com milhões de mulheres que não podem simplesmente abandonar tudo e tentam conviver com a culpa da melhor forma que podem. E com aquelas que não querem ter filhos, por que não? Ser mãe (ou pai) não é o ponto máximo na vida de muitas pessoas e isso não faz com que sejam melhores ou piores. Pronto, acabei.
Leiam também os posts da Denise, da Lu Monte, da Lola e da Cam Seslaf.
12 Respostas
to “Minhas Confissões de Mãe”
4 Trackback(s)
- mai 14, 2009: Ainda sobre Mães e a Liberdade Feminina. | Groselha News
- mai 25, 2009: Confissões Absurdas : LuluzinhaCamp


Maysa, Brasília, Distrito Federal, Brasil, América do Sul, Hemisfério Sul, Planeta Terra (a maior parte do tempo), Universo. Mulher, mãe, esposa, filha, nora, cunhada, neta, tia, amiga, irmã, cozinheira, leitora, carona, scrapper, navegadora. |
Adorei a confissão Maysa!
Disse tudo!
[Reply]
“…Deve ser porque fico imaginando que força é essa que vai girando o mundo até duas pessoas se encontrarem e darem um pedacinho de sua alma para criar pessoas completamente independente deles, mas tão profundamente interligados…”
Maysa, que lindo, amei que vc escreveu.
[Reply]
Achei lindo esse post
[Reply]
Maysa Reply:
maio 25th, 2009 at 7:13 am
@ Carla
@Andrea
@Carol
Obrigada meninas! Que bom que gostaram…
[Reply]
Nunca duvidei da sua capacidade e sei que vc vai muito longe, muito lindo!
Dinda
[Reply]
Maysa Reply:
maio 25th, 2009 at 7:15 am
Sério, Diva Maria? =P Tou esperando você aqui mais…
beijomeliga!
[Reply]
Maysa, seu texto ficou tão lindo, mas tão lindo!!!
Oh coisa boa de ler!
Que bom que eu tenho o privilégio de compartilhar muitas idéias contigo.
Amor (e ausência ultimamente, eu sei),
Deh
[Reply]
Maysa Reply:
maio 25th, 2009 at 7:09 am
Volta! A rapaziada tá com saudade de você!
Sorte a minha… =)
Bjks
[Reply]
Olá!
Encontrei seu blog no Movimento Blog voluntário e decidi passar para conhecer.
Não tenho filhos mas sim, assino embaixo das suas confissões.
E concordo 100% com você. Como se não bastasse a culpa que parece nascer com a mãe, ainda por cima vem uma maluca e coloca mais lenha na fogueira. Fala sério.
Beijos e bom domingo.
Fique com Deus.
[Reply]
Maysa Reply:
maio 25th, 2009 at 7:13 am
Elaine, parece que junto de cada mãe vem uma lista de coisas indispensáveis e uma delas é culpa. Se equilibrar entre milhões de coisas não é tão difícil, muito mais é fazer ouvidos moucos a quem insiste em dizer que estamos fazendo tudo errado.
Semana que vem farei uma resenha do livro, aparece aqui para ler.
Bjks
[Reply]