O Desabafo da Mulher-Maravilha
Depois de uma semana barra pesada, o fim de semana deveria ser um oásis de paz e sossego, onde os filhos brincariam contentes e o marido cuidaria do almoço. Aliás, o marido seria um caso a parte, pq ele iria fazer o almoço já com segundas intenções e a primeira providência dele seria colocar a garrafa de vinho pra gelar… WOW!
Passado o momento viagem-descontrol a vida real continua. Nela os filhos estão enjoados pq tem uma fila de dentes a nascer e um ciúme desmedido daquele irmãozinho gordinho, bonitinho e chorão que só quer ficar no colo por causa dos tais dentes. O marido? Tá caído em algum canto da casa onde não possa ouvir o barulho dos meninos, já que ele está gripado e, como todo exemplar masculino da raça humana, morto de manha e mais chorão que as crianças.
Surpreendentemente a mulher-maravilha sobreviveu ao final de semana, mesmo com a festa na madrugada de domingo quando aquele bebê bonitinho (é! Aquele mesmo dos dentes…) resolveu mamar até cair e deixou a mãe em frangalhos, um pescoço doído e outras partes que só tomam sol na gravidez esfoladas! Arre!
Pensa que acabou? Não! Ainda tem a manhã de segunda-feira.
Ah… A manhã de segunda-feira… Merecia um post todo especial, mas a mulher-maravilha não tem tempo. Então é banho rápido, o café da manhã é um copo d’água enquanto tenta dar algumas instruções pra empregada. A roupa é o uniforme básico da mulher que trabalha fora (foi a Danuza Leão que disse isso?), mais aquele casaco chiquérrimo (só pq tá frio e ele ainda é o único que cabe). Sai de casa ainda acabando de passar o protetor solar, grita um até logo já da rua, enquanto repara que precisa dar um jeitinho na frente da casa, pintar a grade.
Ninguém sabe como, mas conseguiu colocar o vidro do protetor na bolsa, ao mesmo tempo em que colocava os óculos escuros, pegava o $$ da passagem, guardava as chaves e pensava que alguém se inspirou nela ao imaginar a cena inicial do filme Bonequinha de Luxo; aliás ela mesma poderia ter gravado aquela cena, se ela não estivesse a km de distância da locação do filme, fosse mais magra, tivesse escolhido ser atriz ou fosse a própria Audrey Hepbun.
A seqüência de pensamentos intermináveis continua enquanto ela dá bom-bom dia aos vizinhos (e mais um pensamento atravessa a sua mente, de que esqueceu o almoço, mas não vai a casa buscar nem morta!), tenta equilibrar o livro que está lendo, carregar a bolsa de mão, pegar o celular pra colocar no bolso do casaco e finalmente entrar no ônibus! (Ufa! Já cansei só de narrar esses fatos!)
Dentro do ônibus ela prossegue com seus irritantes pensamentos. Dos pensamentos ela passa às orações e pede a Deus pra chegar antes da chefe. Depois se lembra que é segunda-feira e a chefe sempre chega tarde. Ela com certeza saiu no fds. Aquela ridícula deve ter ido a uma balada atrás da outra, dançado até a carne despregar do osso.
Daí a mulher-maravilha tenta se lembrar de quando foi a última vez que caiu na balada, que dançou e não se preocupou a que horas chegaria em casa. Aproveita e faz um coque no cabelo pq tá ventando e ela acabou de perceber que não tem pente na bolsa. Quase perde o ponto, desce correndo e chega atrasada, mas num horário decente ao trabalho.
Ainda no elevador, solta o coque e guarda a presilha no bolso do casaco bem a tempo da porta abrir e dar de cara com a chefe. (Óbvio! A criatura chegou mais cedo só pra ter a certeza que a “mulher-maravilha” estava atrasada.)
A chefe olha a mulher-maravilha de cima até embaixo: passa pelo cabelo perfeitamente despenteado (parece até a Gisele Bündchen! Maldita idéia de fazer um coque), o casaco que parece de revista (resgatado do baú das roupas fora de moda da mãe dela), o rosto com aquele leve rubor de quem se atrasou pq ficou embolada nos pijamas do marido (na verdade foi da correria do ponto de ônibus até o trabalho e aquele vento frio…), o tailleur preto de caimento perfeito (que já tá batido e andando sozinho), o scarpin lindo altíssimo (que ela detesta, mas usou pq não foi a manicure no fds por motivos óbvios).
Se não fosse cedo ainda e não tivesse a certeza que o shopping está fechado, a chefe juraria que a mulher-maravilha tinha voltado de uma manhã de compras, afinal ela está tão bem arrumada que não é possível que a vida dela seja igual à das outras (o que têm essas mulheres que não param de pensar? Agora é a chefe com a cabeça trabalhando irritantemente!)! O cabelo sempre perfeito, a unha sempre feita, os filhos dela são tão lindos e o marido… Ah! O marido da mulher-maravilha! Que homem é aquele? Putz! A chefe imagina que se não tivesse que trabalhar tanto poderia conseguir um homem como aquele, ter filhos como os da mulher-maravilha, uma casa como a dela e até aprenderia a andar naqueles saltos. Meu Deus, como é que ela consegue se equilibrar naqueles saltos?
Então, de repente, por apenas um breve momento as duas se olham e são iguais. Ali, na porta do elevador, a mulher-maravilha e sua chefe terrena se olham e percebem que são iguais.
São duas mulheres pensando: QUEM FOI A IDIOTA QUE INVENTOU O FEMINISMO?!?!?!
Bjinhos e boa semana



Maysa, Brasília, Distrito Federal, Brasil, América do Sul, Hemisfério Sul, Planeta Terra (a maior parte do tempo), Universo. Mulher, mãe, esposa, filha, nora, cunhada, neta, tia, amiga, irmã, cozinheira, leitora, carona, scrapper, navegadora. |
Amygha, isso é o primeiro de uma bela chick lit. Se eu fosse vc…
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Maysa Reply:
junho 26th, 2010 at 9:34 pm
investir né? quem sabe…
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