Submarino.com.br

Parabéns João Marcelo

{ Postado em jun 14 2007 por maysa }

Fazendo o bolo de aniversário do João Marcelo e me lembrando como eu me sentia há 3 anos, na noite anterior ao nascimento dele. Eu recordo que sentia umas “coisas” e queria que começasse logo. Queria logo sentir as tais contrações e botar pra fora aquele menino. Já tava cansada da barriga, da espera, daquela expectativa do porvir. Eu não imaginava era que aquela sensação seria minha companheira durante todos esses anos até agora.

Daí eu me lembrei de quando eu era criança e entrava no quarto da minha mãe e ela ainda dormia. Eu fui uma criança assustada – e ainda sou rs – e sempre que a via dormindo pensava que ela estava morta, que não iria jamais acordar. Lembrei-me disso porque ao contrário das outras mães eu não gosto de ver meus filhos dormindo. Sinto um aperto na garganta, uma dor no peito e uma vontade enorme de chorar. De tristeza, de dor, do vazio. Mas também de felicidade por ter o privilégio de presenciar aquele milagre que é uma vida “vivendo”.

Eu me esqueço disso durante todo o ano, mas na época dos nossos aniversários eu sempre lembro o que disse uma antiga colega de lista, quando o João Marcelo ainda era apenas um pensamento: quando nasce uma mãe, morre sempre uma mulher.

A primeira vez que li isso fiquei chocada! Como assim, morrer? Se estou no auge da vida? Tanto que posso até repartir com outro? Não é possível. E deixei pra lá. Não falei, não retruquei, mas guardei aquilo como um ultraje disposta a nunca deixar que essa frase me contaminasse. Alguns meses depois que o João Marcelo nasceu li isso novamente e mais uma vez me calei, mas não tão certa do que pensava agora e menos afrontada que antes, mas ainda chocada.

O tempo passou, fiquei grávida de novo, as prioridades mudaram e me vi mais uma vez lembrando-me daquela frase. E agora a surpresa foi a ausência do espanto. O assombro de descobrir que realmente aquela Maysa não existe mais. No lugar dela existe a mãe do João Marcelo e do Carlos Henrique, a esposa do Bruno. Ainda existe um resto daquela outra, uma vaga lembrança de que ela existiu, mas nada que faça diferença no caminhar dessa nova Maysa.

A Maysa de hoje é uma mistura: do que ela era, do que ela é, do que ela queria ser e do que ela teria sido se não estivesse exatamente onde está hoje. A essa nova pessoa também podemos juntar todas as nuances entre essas quatro. De fato, a única característica comum a elas é a certeza de não gostar de ver pessoas dormindo.

Então, parabéns para o João Marcelo! Por ter nascido, iluminado a minha (nossas) vidas, desconstruído a antiga mulher e ter colocado no meu caminho essa nova Maysa, que eu gostei de conhecer, mas que de outra forma nunca teria pisado os mesmos passos.

Comente

CommentLuv Enabled